AI · INNOVATION · BUSINESS · SUPPLY CHAIN  ·  28 de outubro de 2026

Aloha, Inovadores 🤟🏾

Ler a nota fiscal que chegou, conferir e lançar no sistema.

Toda operação tem alguém fazendo isso hoje.

Na segunda, a OpenAI lançou um modelo de IA e usou justamente essa tarefa como exemplo. E o custo de cada tarefa caiu a ponto de a conta começar a fechar.

Na mesma semana, a BMW passou de 1 milhão de carros levados sem motorista até o pátio. E Anthropic, OpenAI, xAI e Meta agora têm, as quatro, um agente que trabalha por você.

Bora?

📋 NESTA EDIÇÃO

  • A GRANDE HISTÓRIA · A nova IA da OpenAI foi feita pra tarefa de tela, como lançar nota fiscal no sistema.

  • SUPPLY CHAIN · O carro novo vai da linha até o pátio sem motorista, guiado por sensores da fábrica.

  • AI · Os agentes pessoais chegaram, e todos pedem aprovação antes de pagar.

  • RADAR · Autopeça virando robopeça, o Itaú comprando IA e a escavadeira sem operador.

★ THE BIG STORY

A nova IA da OpenAI lê a nota fiscal que chega e lança no sistema contábil

Imagem ilustrativa. Foto: Freepik

Na segunda, dia 26, a OpenAI lançou o GPT-6.1 Terra, o modelo do meio da sua linha. E o anúncio usa um exemplo que todo financeiro reconhece: ler as notas fiscais que chegam e lançar os dados no sistema contábil.

O Terra foi feito pra usar o computador como uma pessoa usa: olha a tela, clica, preenche formulário, lê desenho técnico e escreve proposta. Num dos testes da OpenAI, a IA recebe uma planta de arquitetura e precisa montar o modelo 3D num programa de desktop. Segundo a empresa, ele é três vezes mais rápido que os modelos mais caros da casa.

E a conta mudou. O preço por token é um décimo do Astra, o modelo de topo da OpenAI. No teste independente da Artificial Analysis, o Terra faz 48 pontos, contra 53 do Astra, gastando US$ 0,40 por tarefa, contra US$ 3,26.

A Epoch AI mede que o custo de chegar a um mesmo nível de IA cai cerca de 13 vezes por ano desde 2023. A automação que não se pagava no ano passado pode se pagar agora.

O relatório de segurança do Terra traz um dado pra quem pensa em soltar IA no sistema da empresa: diante de uma barreira, em 29,6% dos testes no esforço máximo ele terminou a tarefa por um caminho alternativo que violava o espírito da restrição.

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A régua para usar amanhã. Faz a lista das tarefas de tela da sua operação: lançar nota, baixar XML do portal, agendar na transportadora, conferir pedido contra nota. Pra cada uma, anota o volume por mês, o custo de hoje e o acesso que ela exige. É com esse número que você compara a proposta do fornecedor.

LILIO'S TAKE 🤟🏾

Na #04 a gente falou da IA que opera a tela. Era coisa de modelo de topo. Agora chegou ao modelo de volume, o que a empresa de fato põe pra rodar.

Repara no exemplo que a OpenAI escolheu: lançar nota no sistema contábil. É back-office puro, a digitação entre sistemas que toda operação tem e que nunca compensou integrar.

Uma IA que lê a nota e lança é ação. Por causa daquele 29,6%, eu daria a ela o mesmo acesso de alguém no primeiro mês de casa.

🔗 SUPPLY CHAIN

A BMW já levou 1 milhão de carros da linha até o pátio sem ninguém ao volante

Imagem ilustrativa. Foto: Freepik

Quando o carro novo sai da linha de montagem, alguém precisa entrar nele e dirigir até o estacionamento da fábrica ou até a carreta. Na BMW, 1 milhão de carros já fizeram esse trajeto sem ninguém ao volante, em quatro fábricas na Alemanha e no Reino Unido. A tecnologia é da startup suíça Embotech, que anunciou o marco nesta terça.

O carro não é autônomo e não ganhou sensor nenhum. Sensores a laser instalados na fábrica enxergam o caminho, e um computador fora do veículo comanda direção, acelerador e freio pelo sistema eletrônico que o carro já tem. O trajeto todo fica dentro da área da fábrica.

São cerca de 3.500 movimentos por dia, com mais de 99,5% de disponibilidade, 24 horas, sem depender de turno. Os primeiros 500 mil levaram 15 meses. Os outros 500 mil, sete.

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LILIO'S TAKE 🤟🏾

Toda vez que se fala em automatizar pátio, a conversa trava no custo de trocar a frota.

A BMW pôs a inteligência na fábrica e deixou o carro como estava. Dá pra pensar igual no pátio, na doca e no CD, com a frota que você já tem.

Eu não preciso trocar tudo, eu preciso conectar e melhorar o que já tenho. Vale pra sistema, e agora vale pra pátio.

🤖 AI

Anthropic, OpenAI, xAI e Meta já têm um agente pessoal que trabalha por você 24 horas

Imagem ilustrativa. Foto: Freepik

No dia 21, a Anthropic abriu o teste do Claude Duet, um app em que o Claude trabalha de forma proativa, com computador e navegador próprios. Com ele, as quatro têm o mesmo tipo de produto.

O dots, da OpenAI, tem computador na nuvem, conecta com mais de 4 mil apps e trabalha 24 horas, de dentro do ChatGPT, do Slack ou do Teams. O Grok Bot, da xAI, entra nas suas ferramentas e só volta quando precisa de aprovação. E o Muse, da Meta, abre o navegador, preenche formulário e negocia por você. Ele passou de 10 milhões de usuários, segundo a Meta.

Repara no que os quatro têm em comum: computador próprio, acesso às suas contas e uma regra de aprovação. O Duet para antes de mandar mensagem, pagar, assinar ou apagar qualquer coisa, e não mexe em investimento nem com o seu ok.

Na outra ponta, a porta segue dividida. O Morgan Stanley começou a barrar agentes de fora, e JPMorgan, Bank of America e Citi também restringem. A maioria dos bancos caminha pra liberar só leitura: o agente vê a conta e não mexe. O Walmart foi pro outro lado e abriu uma entrada própria pra eles. No Brasil, Duet e Muse ainda não chegaram.

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LILIO'S TAKE 🤟🏾

Isso vai entrar na sua empresa pela porta do funcionário, como o WhatsApp entrou. Na #02 a gente falou do time que usa IA sem aval. O passo seguinte é o time com agente próprio, logado no e-mail e no portal do fornecedor.

Proibir não segura. Melhor usar o que toda empresa já tem, a alçada: quem compra até quanto, quem assina o quê.

Os quatro agentes já param pra pedir aprovação antes de pagar. Falta a sua empresa escrever a regra que eles vão seguir.

⚡ QUICK TAKES

TO READ · A Machenta mostra um robô que aprende tarefa nova com uma única demonstração, treinado só em simulação. A empresa chama isso de vibe coding físico. Os testes são simples, mas a ideia ataca o custo de reprogramar a célula a cada item novo.
Machenta, 27/10/2026

ONE NUMBER · 50% menos desperdício na padaria da Kroger depois do piloto de RFID, que roda em cerca de 1.500 lojas. A contagem de estoque ficou quase 70% mais rápida.
Supply Chain Dive, 27/10/2026

ONE COMPANY · A brasileira Tractian virou unicórnio: captou US$ 130 milhões, avaliada em US$ 1,4 bilhão. Ela usa sensor e IA pra avisar da falha da máquina antes de ela acontecer. A receita anualizada passou de US$ 100 milhões, contra US$ 40 milhões em 2024, e metade vem de fora do Brasil.
Bloomberg Línea, 23/10/2026

🔎 RADAR · O QUE EU ESTOU OLHANDO

Autopeça está virando robopeça. A Schaeffler, gigante alemã de rolamentos, abriu na China uma fábrica onde humanoides montam peças de humanoide, com pedidos da área em cerca de 400 milhões de euros. Os braços são da chinesa ROKAE, que acaba de entregar o de número 10 mil.

O Itaú comprou IA brasileira. O banco vai pagar R$ 2,925 bilhões pela NeoSpace, startup que treina modelos de IA próprios em grandes bases de dados.

Escavadeira sem operador vale US$ 4,1 bilhões. A Bedrock Robotics captou US$ 600 milhões pra colocar escavadeira autônoma em obra nos EUA, onde falta operador. A meta pra 2027 é passar de cem máquinas rodando sozinhas.

★ ONE MORE THING

Fortune 100 Fastest-Growing 2026 · quem segurou o ritmo

Na #03 a gente ficou de voltar à lista da Fortune das empresas que mais crescem no mundo. A edição 2026 saiu no dia 21, e as duas latino-americanas do top 10 ficaram pelo caminho.

O Nubank, que era o 4º, saiu da lista, e a Fortune não explica por quê. O Mercado Livre caiu do 7º para o 54º, com a receita ainda crescendo 40,5% ao ano e o lucro por ação, 46%. Pesou o retorno da ação, de 12,7% ao ano, contra 49% da média da lista.

No topo ficou a Nvidia. E cinco das dez primeiras são mineradoras de ouro e prata.

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Agora me diz uma coisa: qual tarefa de tela da sua operação você entregaria primeiro pra uma IA? 👇🏾

Namaste 🤟🏾

Fontes e ressalvas desta edição: OpenAI, lançamento do GPT-6.1 Terra (26/10/2026; pra código complexo, a própria OpenAI recomenda os modelos maiores; os testes de uso do computador, a velocidade e o empate com o Astra num dos testes são números da própria OpenAI; nos outros testes dela o Terra fica abaixo do Astra) · OpenAI, system card do GPT-6.1 Terra (26/10/2026; o próprio documento diz que o teste mede situações de baixo risco, sem controles de sistema) · Artificial Analysis (26/10/2026; índice v4.3.2 com 10 avaliações, esforço máximo; o custo por tarefa é o do teste, não o de uma nota lançada) · Epoch AI, The plunging price of thought (22/09/2026) · 9to5Mac (26/10/2026) · Embotech (27/10/2026; release com a BMW, números das empresas, sem ganho de custo divulgado) e The Robot Report (27/10/2026) · Anthropic, Claude Duet (21/10/2026; teste para Pro e Max nos EUA) · OpenAI, dots (29/09/2026; Pro e Business Premium) · xAI, Grok Bot (11/08/2026) · Meta, Muse (08/09/2026; EUA, Canadá e, desde 23/10, Japão) · TechCrunch sobre os usuários do Muse (21/10/2026; número dito pela Meta na teleconferência de resultados) · Axios sobre os bancos (22/10/2026; reportagem com fontes anônimas; o Morgan Stanley diz não ter visto agente agindo por conta própria) · TechCrunch sobre o Walmart (21/10/2026) · Machenta (27/10/2026; blog da própria empresa, que ainda não tem clientes) · Supply Chain Dive sobre a Kroger (27/10/2026; dados apresentados pela Kroger no dia do investidor, 20/10) · Bloomberg Línea sobre a Tractian (23/10/2026; receita informada pela empresa, que tem sede em Atlanta e P&D em São Paulo) · Schaeffler (20/10/2026; release) · ROKAE (26/10/2026; release) · Itaú, fato relevante (26/10/2026; parte paga no fechamento e o resto em cinco anos; depende de Cade e Banco Central) · The Robot Report sobre a Bedrock (26/10/2026; a meta de 2027 é do CEO, que não divulgou ganho por obra) · Fortune 100 Fastest-Growing Companies 2026 (21/10/2026; soma de três rankings, receita, lucro por ação e retorno ao acionista, em três anos até junho de 2026; só empresas listadas nos EUA).

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