AI · INNOVATION · BUSINESS · SUPPLY CHAIN · 21 de outubro de 2026
Aloha, Inovadores 🤟🏾
O português virou linguagem de programação.
Diretor de operação, de finanças, de vendas: qualquer um com uma boa ideia sobe um app num fim de semana, só pedindo pra IA.
A fila de chamado da TI deixou de ser desculpa. E isso é ótimo.
Só que a fatura começou a chegar. Uma rede de cafés com 132 unidades sentiu isso, e tudo começou com uma foto no Instagram.
Bora?
📋 NESTA EDIÇÃO
A GRANDE HISTÓRIA · A área de negócio virou fábrica de software com IA. A segurança ficou pra trás.
SUPPLY CHAIN · Um robô que aprende pelo tato já separa 1.500 itens por hora.
BUSINESS · Os agentes de IA começam a comprar, e cada empresa decide se deixa entrar.
RADAR · Caminhão autônomo 64 dias sem desligar, data center sem energia e humanoide na fábrica de trator.
★ THE BIG STORY
App feito com IA expõe dados de 132 lojas de uma rede de cafés

Imagem ilustrativa. Foto: Freepik
Em julho, o CEO da Bootlegger, rede de cafés da África do Sul, contou no LinkedIn que, seis semanas antes, tinha mergulhado no vibe coding, que é criar software só pedindo pra IA, sem ler o código. Na segunda seguinte, mandou as 15 pessoas que respondem direto a ele usarem o Claude.
Na semana passada, o site MyBroadband mostrou um painel que, segundo quem denunciou, nasceu desse experimento. Era um painel interno de operação, com escala de suporte às lojas, relatórios de venda e visitas, tinha tela de login. Mas os dados já desciam junto com a página de login, visíveis no código pra quem tivesse o endereço. Ficaram expostos contatos ligados a 132 unidades e dados de desempenho.
O endereço foi achado do jeito mais banal: funcionários postaram foto da tela do notebook no Instagram, com a URL aparecendo. A empresa tirou o painel do ar no mesmo dia, disse que era uma versão antiga e vai notificar o regulador de dados. A nota da empresa não fala em IA.
E não é caso isolado. Na Lovable, uma das plataformas mais usadas pra isso, 80% de quem cria se declara de área não técnica, e o Brasil está entre os maiores mercados pagantes. Numa pesquisa da Retool, 60% disseram ter construído algo fora da supervisão da TI no último ano.
O problema mora depois do deploy. No teste da Veracode, 44% das tarefas de código feitas por IA abriram uma brecha de segurança. E, também na África do Sul, um site feito com IA foi invadido seis dias depois de ir ao ar: a ferramenta tinha deixado a senha de administrador escrita no próprio código.
LILIO'S TAKE 🤟🏾
Eu sou a favor de a operação construir as próprias ferramentas. Ficar refém da fila de chamado nunca foi estratégia.
Só que o código ficou barato, e o entendimento não. Não ter código não é mais o desafio. O desafio é saber o que pedir: qual dado sai, pra quem e com qual regra.
O CEO da Bootlegger acertou ao colocar o time pra usar IA. Faltou a segunda metade: a IA auditando o que a IA construiu.
Velocidade sem governança só acelera a dívida.
🔗 SUPPLY CHAIN
Robô que aprende pelo tato separa 1.500 itens por hora, contra 600 de uma pessoa

Imagem ilustrativa. Foto: Freepik
A Eka, startup fundada por um professor do MIT e um ex-pesquisador do Google DeepMind, levantou US$ 150 milhões nesta terça, avaliada em US$ 1,45 bilhão. O robô dela pega cerca de 1.500 objetos por hora, de até 1 kg, contra uns 600 de uma pessoa, e acerta a pegada em mais de 95% das vezes, segundo a empresa.
O que muda é como ele aprende. Em vez de copiar vídeo de gente trabalhando, o modelo é treinado na força: a mão tem sensores que reagem ao contato, e o treino acontece num simulador de física. Como resume um dos fundadores, a visão diz onde o objeto está, mas a pegada se resolve pela força. É por isso que o robô pega uma framboesa sem amassar.
Por enquanto são pilotos discretos com clientes industriais, em separação de peças e manuseio de cabos. Do laboratório pra linha ainda tem chão.
LILIO'S TAKE 🤟🏾
Na edição passada a gente falou do dado de gente trabalhando, que treina robô. A Eka mostra o outro caminho: simulação, sem depender de filmar ninguém.
E repara onde ela ataca: o último milímetro da pegada. É exatamente onde a automação de separação sempre travou, no item mole, no que escorrega, no que amassa.
Se você tem projeto de automação de picking parado porque o mix é variado demais, vale voltar a olhar.
📈 BUSINESS
Agentes de IA começam a comprar, e a Shopify abre 1 bilhão de produtos pra eles

Imagem ilustrativa. Foto: Freepik
No dia 13, a Shopify liberou uma conexão que deixa qualquer agente de IA pesquisar, montar o carrinho e pagar nas lojas da plataforma, com mais de 1 bilhão de produtos no catálogo. A compra fecha depois que o consumidor confirma o total.
Do outro lado, o Muse, agente de IA da Meta, chegou a 2,1 milhões de usuários por dia no começo de outubro, segundo dados da Similarweb citados pelo BTG. A Amazon bloqueou o acesso dele ao marketplace. E o JPMorgan avisou que não vai deixar agente de fora entrar na conta dos clientes, porque o risco é alto demais.
O consumidor ainda está no meio do caminho: entre quem usa IA pra pesquisar compra, só 21,6% deixaram o assistente fechar a compra do começo ao fim. E o BTG já calcula quem ganha no e-commerce brasileiro quando o Muse chegar aqui.
LILIO'S TAKE 🤟🏾
Por enquanto é varejo. Mas a lógica chega no B2B rapidinho: o próximo comprador do seu cliente pode ser um agente.
E agente lê preço, estoque e prazo direto do sistema. Tabela em PDF e retorno do comercial ficam pelo caminho. Quem não estiver legível pra máquina fica de fora da busca dele.
Cada empresa vai ter que tomar a decisão do JPMorgan e da Amazon: abre a porta pro agente ou fecha. Melhor decidir antes que o cliente decida por você.
⚡ QUICK TAKES
TO READ · A Unilever vai levar gêmeos digitais de 5 para cerca de 40 fábricas. A entrevista vale pela confissão: no começo, não ficou claro qual ganho mensurável eles buscavam. Numa das fábricas onde já roda, segundo a empresa, o desperdício caiu 20% e a capacidade subiu 10%.
Supply Chain Dive, 15/10/2026
ONE NUMBER · US$ 50 foi o custo médio de cada invasão de um hacker que usou agentes de IA para entrar em mais de 100 sites de empresas, entre elas Deere e Cummins. No caso da Cummins, a porta foi o site de um fornecedor.
Reuters, via SOFX, 19/10/2026
ONE COMPANY · A HappyRobot, unicórnio de agentes de IA para logística, abriu escritório em São Paulo. Ela diz atender nove das dez maiores empresas de frete dos EUA, com agente conversando com caminhoneiro e CD, recalculando rota e rastreando entrega. A meta é ter 35 pessoas aqui no começo de 2027.
Bloomberg Línea, 14/10/2026
🔎 RADAR · O QUE EU ESTOU OLHANDO
Disponibilidade virou o indicador da IA física. Um caminhão sem motorista da Kodiak rodou 64 dias seguidos sem desligar, numa operação na Bacia do Permiano, nos EUA. E a Agility promete que o humanoide Digit 5 vai trabalhar mais de 20 horas por dia, com recarga de nove minutos. A pergunta deixou de ser se funciona e virou quanto tempo fica disponível.
A IA esbarrou na tomada. A Microsoft desistiu de ser a cliente principal de um data center de IA no Reino Unido porque a conexão com a rede elétrica só sai em 2030.
Humanoide na fábrica de trator. A AGCO, dona da Massey Ferguson e da Valtra, vai testar o humanoide Digit na fábrica de Hesston, no Kansas, a partir de 2027, separando e empilhando peças.
★ ONE MORE THING
DHL Logistics Trend Radar 8.0 · o mapa da logística que vem aí
A DHL publicou no fim de setembro a oitava edição do seu radar de tendências. Pela primeira vez entram agentic AI, comércio feito por IA, economia de computação e robôs humanoides, e a leitura é que isso vai mudar centenas de funções, da operação ao escritório.
Eu passei 8 anos na DHL, então leio com carinho e com olho crítico. É um mapa útil pra quem quer saber o que vem pro CD nos próximos anos.
Gostou? Encaminha pra quem está colocando o time pra criar com IA. Recebeu de alguém? Assina de graça.
Agora me diz uma coisa: na sua empresa, quem pode publicar um app feito com IA, e quem revisa antes? 👇🏾
Namaste 🤟🏾
Fontes e ressalvas desta edição: MyBroadband, caso Bootlegger (16/10/2026; a ligação com vibe coding vem do denunciante anônimo e do post do CEO, e a nota da empresa não menciona IA) · MyBroadband, site invadido em seis dias (18/10/2026; relato do CEO da Domains.co.za, que vende um construtor de sites concorrente; o site não foi identificado) · Andrej Karpathy, post que cunhou o termo vibe coding (02/02/2025) · Lovable (09/06/2026; dado da própria empresa, autodeclarado) · Retool, AI Build vs. Buy Report (17/02/2026; amostra de 817 clientes e usuários da própria Retool, que vende plataforma de ferramentas internas) · Veracode, 2026 GenAI Code Security Report (28/07/2026; teste controlado de 80 tarefas sem instrução de segurança, feito por empresa que vende teste de segurança; não é a taxa de apps em produção) · Axios (07/05/2026; sobre ferramentas internas publicadas sem controle de acesso) · TechCrunch sobre a Eka (20/10/2026; números de desempenho da própria empresa, divulgados com a rodada) · Shopify (13/10/2026) · NeoFeed sobre o relatório do BTG (13/10/2026; dados de uso da Similarweb) · Fortune sobre o JPMorgan (15/10/2026) · Product.ai (14/10/2026; pesquisa com 1.493 compradores, feita por empresa do setor) · Supply Chain Dive sobre a Unilever (15/10/2026; os ganhos das fábricas são de release da empresa com a Accenture, de junho) · SOFX, citando a Reuters (19/10/2026; o custo por invasão é estimativa; a campanha usou DeepSeek e Claude Code) · Bloomberg Línea sobre a HappyRobot (14/10/2026; clientes e metas informados pela empresa) · Kodiak (20/10/2026; release, sequência entre 30/06 e 01/09 na Bacia do Permiano) · The Robot Report sobre a Agility (15/10/2026; as 20 horas são promessa) · Startups.com.br, com Reuters, sobre a Microsoft (19/10/2026) · AGCO e Agility (20/10/2026; release, piloto previsto para 2027) · Logistik Heute sobre o DHL Logistics Trend Radar 8.0 (25/09/2026; relatório publicado pela DHL em 24/09; o Lilio trabalhou 8 anos na DHL).
